
Portugal, anos 30.
Salazar acabou de ascender ao poder e, com mão de ferro, vai impondo a ordem no país. Portugal muda de vida. As contas públicas são equilibradas, Beatriz Costa anima o Parque Mayer, a PVDE cala a oposição.
Luís é um estudante idealista que se cruza no liceu de Bragança com os olhos cor de mel de Amélia. O amor entre os dois vai, porém, ser duramente posto à prova por três acontecimentos que os ultrapassam: a oposição da mãe da rapariga, um assassinato inesperado e a guerra civil de Espanha.
Através da história de uma paixão que desafia os valores tradicionais do Portugal conservador, este fascinante romance transporta-nos ao fogo dos anos em que se forjou o Estado Novo.
Com A Vida Num Sopro, José Rodrigues dos Santos confirma a sua mestria e o lugar que já ocupa nas letras portuguesas.
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Ainda estou arrebatado depois desta leitura.
Estes é daqueles livros que acabamos de ler e não conseguimos evitar parar por um segundo, deitados na cama, a olhar para o ar, na mais profunda e simples reflexão.
Portanto, não sei bem por onde começar a opinar. Acabei agora mesmo o livro e sinto-me levitado pela história amorosa de Luís e Amélia.
De facto, este livro é uma história de amor. Não é a história do princípio do Estado Novo ou da guerra civil de Espanha, "A Filha do Capitão" foi, sim, um romance sobre a guerra, este é apenas um romance sobre a vida. A princípio, senti-me desiludido ao aperceber-me disso, mas a partir daí fui distinguindo os dois livros.
Só posso dizer que gostava que fosse ainda maior. O livro já tem muitas páginas, mas eu gostava que fosse ainda mais pormenorizado, que esmiuçasse todos os pormenores. Na verdade, não esperem um livro sobre o Estado Novo ou a guerra em Espanha. Esperem antes um livro sobre a vida, tão pura ou trágica como pode ser, e que por acaso se insere em factos históricos.
Aliás, apreciei aqueles pormenores históricos como a gíria do povo, o destino que os soldados da guerra tinham pela frente, por exemplo.
Muitos diálogos, um livro directo e sem grandes floreados.
Acho que este romance, mais do que querer ser uma excelente obra, pretende entreter. No caso de "A Filha do Capitão" (não consigo evitar esta comparação), havia o objectivo de ser uma excelente obra, mais do que entreter. Por isso digo que não me importava que este romance tivesse mil páginas, se a mesma história fosse relatada com ainda maior pormenor seria um dos grandes livros da Literatura. Claro, as emoções e destinos das personagens são sempre relatadas com muito apego.
Porém, se nós lemos este livro é para chegar ao fim. Estamos constantemente na ânsia de chegar à última página, de saber o que vai acontecer! E quando acabamos não nos livramos de uma lágrima ao canto do olho.
Aconselho-vos. Lê-se num sopro. Confesso que não é um grande romance, mas vale bastante a pena pelos excelentes momentos de leitura que passamos. Para nos apaixonarmos pelas suas personagens, para suspirarmos pela vida. Adorei. José Rodrigues dos Santos confirma-se como um dos meus autores preferidos.
Dizer mais seria adiantar demasiado (e eu não sou de dizer spoilers). Leiam, garanto-vos pelo menos uma boa leitura.



























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