Durante o turbulento Verão do escândalo Lewinsky, Coleman Silk, decano universitário, vê como a sua reputação e a sua carreira são arruinadas por proferir uma expressão pouco afortunada num momento inoportuno. Como numa nova caça às bruxas, a febre do politicamente correcto desata consequências devastadoras. Mas a verdade sobre Coleman não é a escandalosa relação que mantém com a misteriosa Faunia, que tem menos de metade da sua idade, nem o seu alegado racismo e misoginia, mas um segredo que não conhecem nem a sua mulher, nem os seus quatro filhos, nem os seus colegas, nem os seus amigos. Coleman ver-se-á forçado a mostrar a sua autêntica identidade antes que seja tarde demais...Philip Roth nasceu em Newark, Nova Jersey, em 1933. É um dos autores contemporâneos mais galardoados: dois dos seus romances ganharam o National Book Award; outros dois foram finalistas, dois ganharam o prémio do National Book Critics Circle, e outros dois foram finalistas. Obteve igualmente o Pulitzer e dois prémios PEN Club. A Mancha Humana (2001) é uma das suas obras-mestras. Outros títulos destacados são Complexo de Portnoy, Património, Teatro de Sabbath, O Animal Moribundo, Pastoral Americana, Casei com um Comunista, A Conspiração contra a América e Todo-o-mundo.
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Infelizmente, a partir de agora é bem provável que as leituras avancem a passo de caracol. É que a escola não perdoa...
No entanto, isso não quer dizer que não se leia! Deus nos livre!
Sobre "A Mancha Humana"...
Um livro notável.
Comecei a lê-lo desanimado, desmotivado, porque realmente a minha última leitura não me agradou tanto... =/ Aliás, antes de começar a ler qualquer livro que fosse (e a vontade era pouca...), perguntei a outras pessoas que livros me aconselhavam. O primeiro que disseram foi o primeiro que peguei. Não esperava nem demasiado deste livro nem pouco. Simplesmente mantinha a expectativa mediana, e se não tivessem dito para o ler, não leria tão cedo.
Mas li. E simplesmente adorei.
Basicamente, este livro contrói as personagens, por isso praticamente o enredo é simples, não há grande acção, acaba por ser a descrição da vida dessas personagens e do seu desenvolvimento, mas sinceramente está excelente ;)
Quando me agarrava o livro, nunca me apetecia parar. Curiosamente, nem achei a escrita difícil, li muito bem o livro, e achei tão notável que fiquei cativado.
Tendo como começo uma acusação de racismo, passamos a ler sobre a vida de meia dúzia de pessoas que poderão ser aqueles que passam ao nosso lado na rua, mas que aqui tomam proporções que apenas uma grande obra nos pode dar. Fala sobre raça, sobre polémicas, política, escândalos que ocorreram nesse ano (com o presidente Clinton, como deve ser do conhecimento de vós), a guerra do Vietname, mas alarga-se desses temas da nossa actualidade para algo mais profundo, discutindo sobre as vidas de cada pessoa, os rastos que deixamos, as escolhas que fazemos, os crimes da nossa mente e que nos hão de torturar até que haja uma purificação... Algo tão simples como frágil, que vem para chocar mas que vai como o vento, até nunca mais voltar.
Adorei o livro. Fiquei preso às imagens que me transmitiu. Basta dizer: a última página descreve uma imagem tão simples mas tão bela e simbólica, depois de uma obra de tão alto teor, que me apercebi de que fiquei preso ao livro, mesmo depois de o ter acabado de ler! Altamente recomendável.


















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