A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón

A Sombra do Vento é um mistério literário passado na Barcelona da primeira metade do século XX, desde os últimos esplendores do Modernismo até às trevas do pós-guerra. Um inesquecível relato sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros, num crescendo de suspense que se mantém até à última página.

"Embora com ecos superficiais de Mendoza e Pérez-Reverte, a voz de Ruiz Zafón é de uma originalidade à prova de bomba. A Sombra do Vento anuncia um fenómeno da literatura popular espanhola."
Sergio Vila-Sanjuán,
La Vanguardia


"Um livro sobre outro livro, cheio de cenas fantásticas e maravilhosas. Logo que se começa a ler não se pode largar. Li-o num dia e meio, de uma assentada."
Joschka Fisher (ministro alemão dos Negócios Estrangeiros)


www.lasombradelviento.net
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Lindo.
Espantoso.
Não tenho palavras para descrever um livro tão completo.

A partir de um ponto, um livro, vai-se desenvolvendo um enredo que cativa pelas várias personagens envolventes, pelo mistério e suspense que relacionam o policial que se encontra no livro, aquela cidade, Barcelona, que mesmo sem lá ter ido apaixonou-me pela sua melancolia, a tragédia e o amor, e a morte e o horror, a presença da guerra civil e de males que deixam sangue para trás.

É mais do que um romance histórico, com certeza. Um pouco mais do que um policial. Um livro de ficção que é, para mim, um pequeno fenómeno.

Adorei o Cemitério dos Livros Esquecidos, adorei todas as personagens, e desde a primeira página que sentimos a fluidez do texto e a beleza das palavras. Chegamos ao fim num fôlego, ansiosos por saber o que nos reserva, o culminar de todos os segredos e a conclusão que nos vai fazer ficar acordados.

Não me lembro de alguma vez ter rido tanto com um romance! =D Simplesmente hilariante!

Intrigante...
O tempo e a vida têm um papel principal. Só lendo perceberão o que quero dizer ;) Uma narrativa excelente, palavras que nos embalam, e para quem pensa que isto é apenas um livro especial para quem gosta de livros, está enganado: alarga-se a muito mais que apenas isso! Segredos, mistérios, personagens, histórias entrelaçadas, amores e desencontros, até certo ponto este livro enfeitiçou-me.

Este é daqueles livros que nos fazem querer ler outra vez, não apenas porque gostámos, mas porque é mesmo assim.

Espero muito ansiosamente por "El Juégo del Angel". Quero voltar a Barcelona e a todos os locais que me fizeram suspirar.

Resultados sobre a pergunta:


(clique para ampliar)

Ora vamos a ver:

o género fantástico é o mais escolhido! Seguido do histórico!
Justificações: terá a ver com o tipo de pessoas que frequentam este blog? Talvez, acho que é uma boa justificação para a Fantasia. Quanto a Histórico, acho que é daqueles géneros que inclui um pouco de tudo: romance, drama, conspiração, aventura, e claro a vertente histórica que quase sempre fascina!

O Romântico também é muito votado (embora apenas o Género Fantástico/Horro ultrapasse os 50%! Como cada eleitor podia escolher vários géneros, justifica-se).
Talvez a boa parte das pessoas goste de vez em quando de um pouco desse calor romântico... Concordo!

O Policial tem 30% dos votos. É, portanto, para mim, o último dos géneros que se pode dizer "de eleição" (um limite de 30%). Eu não gosto muito de policiais, mas concordo que este género é dos mais procurados!

Deixando de lado alguns (não quero estar a falar de todos), para resumir os restantes basta dizer que a grande maioria encontra-se entre 10/15%, uns mais outros menos. Acho que não se esperava outra coisa, uma vez que os géneros que acima se referiu são os que procuram suscitar um maior interesse, tanto a nível de escrita como cultural como emoção. Como disse, acabam por reunir vários elementos.

O Dicionário é aquele "menos preferido". É de esperar, embora tenha incluído esse género e Enciclopédias porque na realidade já conheci pessoas com estes gostos! E pelo menos uma há (duas nas Enciclopédias).

Obrigado a todos pela participação. Estive para aqui a justificar, e portanto espero que também me dêem a vossa opinião!

A escola começou...

Pois é!... Começou o ano lectivo.

Eu ando no 10.º ano. O que, poderão saber, já não é pêra doce!
Continuo a ler como se nada fosse... Mas também é verdade que, sem as queridas férias, o tempo reservado para os livros escassa!

Nestas altura a melhor solução é: ler à noite. De dia estou enfiado na escola e é quase impossível avançar muito na leitura, tirando os pequenos momentos na biblioteca. De resto, à noite, consigo ficar acordado nem que seja para ler um só capítulo!
Foi na biblioteca da escola que li a obra completa de Lucky Luke, de Mafalda, de Gaston, de Astérix e de Calvin&Hobbes! E é assim que geralmente passo o tempo! Talvez este ano adopte um livro para ler nessas ocasiões...
Além de que é quase impossível levar um livro na mala. Apenas duas disciplinas e a mochila já pesa! Embora seja de louvar a atenção que cada vez mais se dá ao problema.

Gosto quando os professores nos dão listas e dizem: escolham um livro. Claro, para quem gosta de ter livros e lê-los, esta é a nossa decisão preferida... É que para estes livros não há desculpas, pronto, tem de se comprar compra-se logo! =D E lê-se! e desta maneira acabamos por ler mais do que pensamos.


E portanto, com o fim das férias, vou lançar uma nova pergunta:

Quantos livros leram durante as férias?

Em breve disponível ;)

E, também em breve, os resultados da última pergunta!

O Ciclo de Avalon

Depois de ler "A Queda da Atlântida", embora não me tenha impressionado por aí além, deixou-me com água na boca para ler "As Brumas de Avalon"!

A verdade é que "A Queda da Atlântida" é considerado o primeiro livro da série Avalon, e cujo último é "As Brumas de Avalon".

Decidi postar aqui a lista completa (até agora) dos livros que completam a saga, para interessados e para quem gosta da autora:

1.º - A Queda da Atlântida;
2.º - The Ancestors of Avalon (ainda não publicado em Portugal);
3-º - Os Corvos de Avalon;
4.º - A Casa da Floresta;
5.º - A Senhora de Avalon;
6.º - A Sacerdotisa de Avalon;
7.º - Sword of Avalon (previsto para 2009);
8.º - As Brumas de Avalon.

Cronologicamente, esta é a ordem. A princípio quis ler por esta ordem, mas depois de ler "A Queda da Atlântida" desisti, antes quero começar já "As Brumas de Avalon"!

Já leram algum destes livros? O que me dizem deles?

A Queda da Atlântida, de Marion Zimmer Bradley

A história de duas irmãs, Deoria e Domaris, filhas de Sumo Sacerdote Talkannon, dos seus amores, dos seus ódios, dos seus prazeres e sofrimentos e da forma como, tendo escolhido caminhos diferentes, por vezes opostos, vivem os seus dias e desempenham um papel fulcral na batalha que, apesar de invisível, se trava dia e noite pelo futuro do Mundo. Mas mais importante que qualquer destino ou karma, o que está em jogo é o futuro do próprio Mundo, pois da batalha mortal que se trava entre as Trevas e a Luz e do seu desenlace poderá resultar a queda da própria Atlântida.
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Esperava mais do livro.
É o primeiro livro que leio de Marion Zimmer Bradley, e confio que não seja o melhorzito...

Em primeiro lugar, não tem NADA a ver com a Atlântida. Logo isso é uma desilusão, embora não seja suficiente para justificar.
Para mim, as personagens não foram envolventes, e o enredo tornou-se repetitivo por vezes...
Até que, lá para os dois últimos livros (o livro divide-se em cinco), a coisa anima. Pelo menos sempre se torna mais recheado. Mas por vezes consegue-se tornar entediante, não diria aborrecido (é uma palavra grossa), mas entediante... Arrasta-se um bocado, talvez.

Tenho estado a dizer coisas negativas, mas não desgostei totalmente do livro.
É, para mim, incompleto a muitos níveis, e não creio que a autora possa ser julgada por este livro individualmente... Este é aquele livro que dá ao leitor o princípio de todo o ciclo de Avalon, e o desejo da autora de transmitir como é que tudo começou...
As personagens, embora tenha simpatizado, não me fascinaram, acho que a determinada altura estava um pouco farto de tanto choro... E o enredo não é completamente viciante, até é bastante simples.

Mas sempre é interessante se resumirmos um pouco: as duas irmãs vivem num Templo, à medida que crescem, vão praticando actos bons ou maus, e gera-se uma longa teia de escuridão e luz, e as suas acções vão influenciar o futuro de muita coisa... E o seu karma, que se estenderá por gerações vindouras (até às Brumas?).
Portanto, é interessante, mas tenho de lhe dar uma qualificação mediana por ter demorado tanto a entusiasmar-me.

No entanto, além de ser um livro de leitura muito fácil, ao longo do tempo mantive dentro de mim uma emoção constante, o que me fez sempre querer ler mais, e mais, e mais. Essa emoção acabou por fazer com que o livro se tornasse, a meu ver, mais empolgante. E como li rápido, reconheço que algumas páginas podiam ser suprimidas, mas não notei diferença na leitura.
Depois de ler este livro, ainda mais me apetece ler "As Brumas de Avalon", porque nota-se que o objectivo será continuar a história, que se estenderá por gerações...
É um livro trágico, muito trágico! Como parece ser hábito nos livros de MZB, a feminilidade mantém um papel principal.
Este livro é um livro de Fantasia, convém afirmar, o que aprecio e acabou por ser, em certas alturas, bom. Nada de Atlântida, ou referências históricas, mas uma história passada em Reinos passados, e completamente fantástica... Nostálgica, pode-se dizer.

Acho que não aconselharia imediatamente este livro... Melhor, primeiro leiam "As Brumas de Avalon", "A Casa da Floresta" por exemplo. Depois, leiam "A Queda da Atlântida", porque no caso de não gostarem sempre não desistem da autora!
Apenas comecei a ler este livro porque é o primeiro da saga Avalon. Mas acho que, a seguir, irei logo avançar para As Brumas...

Ivanhoe, de Walter Scott

Exuberant, colourful and packed with incident, Ivanhoe is Sir Walter Scott's great romance of the Age of Chivalry.

Scott's noble knight, brave Ivanhoe, returns home from the Crusades to claim Rowena, an Anglo-Saxon princess, to be his bride. Before long he is embroiled in the struggle between Prince John and his brother, Richard the Lionheart, who as return incognito and enlisted the aid of Robin Hood and his merry men to win bacj the throne of England.

"Caught at the right age, or in the right moo, it is hard to imagine a reader finding any book more exciting or more delightful... a wonder of suspense" - A. N. Wilson

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Walter Scott tornou-se um dos meus autores preferidos.

Um mestre no romance histórico. Absolutamente transportou-me para a Idade Média, ainda por cima com um livro que envolve uma história praticamente conhecida por todos: a época de Ricardo Coração de Leão, quando este estava desaparecido e o Príncipe John reinava malvadamente o reino. E o Robin dos Bosques, esse herói dos pobres, e finalmente Ivanhoe, um cavaleiro que Scott nos apresenta.

Este livro ocupou IMENSO o meu tempo, há muito que um livro não ficava tanto tempo na cabeceira. Mas finalmente acabei, e acho que cada segundo valeu a pena.
As personagens não podiam ser as mais apropriadas, não faltando os cavaleiros, as damas, os castelos, a floresta, os fora-de-leis que caracterizam a Idade Média. A acção é, desde o princípio, cativante, e é com emoção que li as cenas dos torneios e batalhas, ou as conspirações e paixões.

No fim do livro, ainda fiquei admirado com a mestria, e confesso que fiquei... triste, mas no bom sentido, se é que me percebem! Adorei o livro, e essa adoração inclui um pouco essa tristeza... Claro, não falarei muito mais para que possam ter a oportunidade de ler!

Decididamente, tornei-me um fã da Idade Média!
(uma curiosidade, para quem leu Os Pilares da Terra e adorou como eu, este livro, cronologicamente, fala de uma história imediatamente a seguir à época do livro de Follett! =D Assim como O Talismã, que se sucede aos Pilares e antecede este!)
Qualquer amante de História ficará fascinado. Eu fiquei. E não foi o facto de ler na língua original que tirou o prazer da leitura.

Promoção da Saída de Emergência!

E vejam só, este mês a lista de livros que poderá levar aumentou!

Agora, na compra de dois livros na loja online da editora, oferecem-lhe um terceiro grátis. Então, do que está à espera para revolucionar as prateleiras da sua biblioteca?

O funcionamento da Promoção 2=3 é muito simples:

• Faça as suas compras normalmente;

• Quando chegar ao checkout, por cada 2 livros que tiver comprado poderá escolher um terceiro grátis (se comprou 4 recebe 2 e assim sucessivamente);

• Como os portes continuam a ser pagos pela editora e o desconto é sempre no mínimo de 10%... já ninguém se pode queixar que não lê porque os livros estão caros!

(Promoção válida apenas para compras superiores a 20€. Os Packs Promocionais contam apenas como 1 livro)


Este mês, pode escolher o seu livro grátis da seguinte lista:

- A Guerra dos Tronos, de George R. R. Martin
- O Salão Dourado, de Rebecca Kohn
- O Segredo do Chocolate, de James Runcie
- A Espada de Átila, de Michael Curtis Ford
- O Remédio, de Michelle Lovric
- Seraglio, de Janet Wallach

A Guerra dos Tronos mantém-se um livro de escolha, deve ter mesmo muita aderência! (como se não se justificasse... =D)

Profecias do Bandarra

O verdadeiro patrono do nosso País é esse sapateiro Bandarra...
O futuro de Portugal - que não calculo mas sei - está escrito já, para quem saiba lê-lo, nas trovas do Bandarra...
O Bandarra, símbolo eterno do que o povo pensa de PortugalFernando Pessoa

Em dois sítios me achareis,
Por desgraça ou por ventura:
Os ossos na sepultura,
A alma, nestes papéis.

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Um livro pequeno, muito pequeno, não fosse a quantidade de informações históricas que poderemos ler!

Para mim, este livro trata-se apenas de uma curiosidade. Qualquer interessado vai ler este livro pela história das suas profecias: Bandarra ofereceu-nos, no séc. XVI, poemas que vaticinam o futuro de Portugal e do Mundo, e acabaram por acontecer realmente depois de ele morrer!

Serviu de inspiração a muita gente, incluindo o padre António Vieira e o poeta Fernando Pessoa.
Este livro vem acompanhado com um prefácio de carácter histórico, que ajuda a perceber o porquê da publicação de tais trovas, e acompanha-o várias notas para quem quer aprofundar melhor o significado de cada dito. É curioso ver que as profecias/poemas são escritos em forma de metáfora, e o leitor não deixa de pensar: realmente, sim senhora, por acaso até acabou por ser assim, olhem só a comparação!...

Além disso, ainda podemos ler algumas críticas ao estado do país que, incrivelmente, se mantém até hoje...

Comprei este livro em Trancoso, a preço de 1 euro. O conselho: visitem Trancoso e comprem o livro. Para quem ficou interessado depois da minha apreciação, como é óbvio aconselho-os a lerem o livro quando puderem.

Como Água para Chocolate, de Laura Esquivel

Tita vive, nos primeiros anos do séc. XX, numa localidade fronteiriça mexicana de arraigados e severas normas sociais. Como filha mais nova, devia consagrar a sua vida ao serviço da família e esquecer-se do amor. Mas tudo se complica quando Tita se apaixona por um jovem chamado Pedro Muzquiz. Como a Mamã Elena não deseja prescindir da sua filha mais nova, que a deveria cuidar na velhice, a solução que encontra consiste em oferecer a mão de outra das suas filhas a Pedro... Nesta desesperante situação, a cozinha e os seus feitiços tornam-se na única válvula de escape para a sensualidade da jovem...

Laura Esquivel nasceu na Cidade de México em 1950. Dedicou-se à docência e escreveu obras de teatro infantil e guiões para cinema. O seu primeiro romance,
Como Água para Chocolate (1989), obteve um êxito extraordinário, sendo traduzido a mais de trinta idiomas e recebendo em 1994 o Prémio ABBY (American Bookseller Book of the Year), galardão concedido pela primeira vez a um autor estrangeiro. Outras obras são A Lei do Amor, Íntimas Suculências (compilação de contos com receitas de cozinha), A Pequena Estrela do Mar, O Livro das Emoções, Tão Veloz como o Desejo e Malinche.
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Superou as minhas expectativas, que eram medianas.
Muito giro. Acabei o livro com emoção e, nem reparei, com uma lágrima de coração.

Muito, muito sensual. O que seria de esperar quando se mistura romance com a cozinha?

Incrível em como em apenas um dia li este livro! E acabei-o com uma sensação de êxtase. Mesmo a calhar.

É um livro sensual, sexual?, quase erótico. Esse romantismo vai aliar-se à cozinha, que se torna o consolo de Tita, a personagem principal, e também a sua maneira de exprimir sentimentos, por isso cada prato acaba por provocar alguma sensação no provador, desperta sempre algum sentido em quem come.

Reparei que a autora foi inspirar-se em muitas histórias: um pouco da Cinderela, algumas vezes até pensei em "A Casa dos Espíritos", embora seja completamente diferente!
É, poderá alguém dizer, um livro de fantasia, mais um livro de cozinha, mais um romance de partir o coração. Passado num rancho mexicano, numa época de revolução (que, segundo me leva a crer, é verídica).
Mas por ser um romance tão sensual, acabei por ficar surpreso ao ver que é recheado de momentos mágicos!

Achei enfadonho quando a autora se dispôs a ditar as receitas, achei mesmo enfadonho. Mas a partir do momento em que a culinária se uniu à história de amor e à magia, acho que tudo ficou excelente. Como se tivéssemos provado os pratos, não sentimos os seus sabores, mas sentimos as suas consequências emocionais.

Uma leitura muitíssimo agradável, que se lê facilmente e com gosto, para mim um bom romance que caracteriza o estilo da escritora, quase com toda a certeza. Aconselho, aconselho a todos, em algum momento vos há de deixar agradados. Eu fiquei impressionado.

Outra promoção da Sábado!

Imperdível!

18 de Setembro: O Amante - Marguerite Duras
25 de Setembro: O Pêndulo de Foucault - Umberto Eco
2 de Outubro: Meridiano de Sangue - Cormac McCarthy
9 de Outubro: Gabriela, Cravo e Canela - Jorge Amado
16 de Outubro: Sputnik, Meu Amor - Haruki Murakami
23 de Outubro: Uma Conspiração de Estúpidos - John Kennedy Toole
30 de Outubro: O Historiador - Elizabeth Kostova
6 de Novembro: O Carteiro de Pablo Neruda - António Skarmeta

O primeiro livro é grátis, todos os outros são 1 euro mais o preço da revista.

De todos, apenas li "O Historiador", e gostei imenso! Incrivelmente, todos os restantes livros me atraem, por isso é uma boa oportunidade.

Ávidos leitores, preparem-se! ;)

Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago

Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.

Livro dos Conselhos
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Li este livro em pouquíssimo tempo.
Senti-me absorvido, e fiquei admirado com o que li.

Por um lado, era o que esperava. Por outro, algo não estava na minha imagem do livro, e acabou por ser ainda melhor.

De todos os livros que li de José Saramago, talvez este seja o mais fácil de ler, e o mais fácil de adaptar para o cinema (isto se for bem aproveitado!).

Uma coisa que me fascina em Saramago: cada livro é uma obra única, e não obstante o estilo de escrita com pontuação elementar e reflectivo, conseguem ser sempre originais. Pelo que, para mim, talvez este seja mais um dos grandes livros de Saramago, embora já me tenha habituado a não dizer qual seja o melhor. No entanto, até agora este foi para mim, a nível de emoções, o mais forte!

Alguns elementos que me fascinaram: para não variar, a ideia, a mensagem, e a interpretação que caracterizam cada livro do autor; a cadeia que Saramago construiu, e um enredo que me fez, muitas vezes, delirar; as personagens, que tão bem se adaptam e que estão muito bem conseguidas, ao nível do que o escritor sempre nos apresenta; a faceta um tanto ou quanto de ficção-científica, e o romance.

Porque este livro fala da humanidade, da condição humana. Sem querer adiantar qualquer interpretação além desta, a cegueira branca de Saramago encerra meditações e perspectivas muito interessantes.

Além disso, devo dizer que este livro é recheado de cenas fortes, brutais! Impressionou-me nesse sentido. É violento, terrível, por vezes enojante. Brutal mesmo! Nem imagino como terá sido escrever o livro, mas sem dúvida foi isto que Saramago sentiu e quis exprimir.
Para mim, uma das melhores leituras.

Este é um livro a ler, ou para quem gosta de Saramago ou para quem o quer ler. Para quem ainda não leu nada do autor, este é um excelente romance para começar, vão por mim! Para quem já é experiente na obra de Saramago, é uma leitura obrigatória.
Espero agora pelo filme, que se bem feito será tão bom quanto o livro (claro, há sempre alguma interpretação que pode escapar, se virmos a essência do livro, mas sem dúvida poderá dar um excelente filme!).

(já agora, acho que os actores e as personagens coincidem muito bem ;) )

Um, dois, três, ...

Têm o hábito de ler dois ou mais livros ao mesmo tempo?

Eu não, digo já que não sou leitor para isso, mas neste final de férias decidi experimentar, é então a segunda vez que faço uma coisa destas.

O problema é que tive sempre medo de confundir as histórias, e gosto de me dedicar a um livro apenas...

Mas agora, para acabar com a pilha de livros por ler (demasiado grande), decidi: dois livros, um para o dia e outro para a noite. Até agora, não tenho tido problemas.

Não aguento tanto tempo sem livros novos

... portanto comprei estes:



=)

Ansioso por ler ambos...

Por favor... Alguém me dá este livro!!! Por favor!!!



Eu QUERO este livro, a sequela de Os Pilares da Terra!!!

O problema: outra vez, dividiram em duas partes! Mas os editores portugueses têm assim tantos problemas com grandes volumes??

(conclusão, se ninguém se lembrar de me oferecer o livro, quando sair o segundo volume estou lá caído ;) )

Maddie - A Verdade da Mentira, de Gonçalo Amaral


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Quem me conhece como leitor sabe uma coisa: este seria um dos últimos livros que leria.
Mas li. Porque mo emprestaram. E eu não sou de recusar.

É uma leitura rápida até certo ponto. Mas... Vou ter de ir por partes.

Fiz um erro enquanto lia este livro: precipitei a minha opinião. Ainda nem a metade do livro ia e já estava a fazer juízos de valor. Quando acabei de ler a obra, tornou-se óbvio que falei demasiado cedo.

Do princípio até metade do livro, tudo o que diz não é novidade, e parece que o autor limita-se a copiar o processo todo (que é do domínio público) e a passá-lo para o livro. Para avançar com a leitura, a vontade não era muita, confesso.

Até que, a partir de metade, começou a excitar um bocado. Até porque só a partir desta altura é que são revelados os factos que se mantém desconhecidos.

Sinceramente, embora tenha lido por curiosidade, não achei o livro chocante! As revelações são impressionantes, pois provam coisas que, se calhar, muitos desconfiam, mas não achei o livro tão chocante que mereça esse título! É interessante, sem dúvida, e vem dizer muito coisa que me deixou impressionado!

Continuo a achar que o livro deixa algumas perguntas em aberto e sem resposta, principalmente porque se sabe que houve muita política neste caso, e mesmo assim o livro nada diz sobre isso. Por isso, na minha opinião, embora a obra revele pormenores que acusam prontamente e acabariam com este caso Maddie, continua a ser uma máquina de fazer dinheiro, e onde Amaral aproveitou para umas lecas, mais nada.

Leiam, mas peçam emprestado. Não vão gastar dinheiro para o livro, ganham mais se o lerem de outra pessoa.

De um amigo...



Hei-de comprar este livro muito brevemente, pois o autor frequenta regularmente este blog! =D
Além de que me parece muito bom... Lembra África e a guerra colonial, num livro que apela a violência e emoções fortes, além de que se trata de um conjunto de short-stories.

Vou adquiri-lo! (e obrigado por avisares que escreveste o livro!)

Vagueando pela Fnac...

Meus caros leitores: a minha leitura vai lenta (pois, se ainda há pouco tempo tinha um ritmo veloz, agora está mais lento que nunca...). Mas atenção: estou a gostar do livro! As razões são outras...

De qualquer maneira, tenho sempre algum tema para escrever!

Ontem, passei pela Fnac. Para (MUITA) infelicidade minha, não comprei nada =( (espero que brevemente seja recompensado, a ver vamos...).
Mas não deixei de apreciar as... centenas de livros expostos.

São tantos os livros... Mas tantos, e ainda por cima, quando vamos a ver, queremos ler vários! Bolas, é nestas alturas que penso: "Ainda não li nada"... ou "Tenho demasiado para ler...", e fico desapontado ao saber que, afinal, nunca poderei ler todos aqueles livros.

Mas talvez seja bom sinal! Quer dizer, a vida não pára, as coisas avançam... E todos os dias livros são publicados.
Nunca sentiram essa sensação? De estarem numa livraria e verem que os livros são infinitos? Que, afinal, ainda temos demasiado para ler?
Ainda por cima não comprei nenhum, foi pena... =/

Outra coisa que reparei, na Fnac e não só: os preços! Sim, não venham dizer que não está caro, está caro sim senhor! São raros os livros que não rondam o preço de 15+ euros! Que despesa! Uma pessoa quer comprar dois livros (só) e, no mínimo, gasta logo 30 euros! Para leitores mais assíduos, a mesma quantidade poderá valer 40 euros! Meu Deus, eu quero livros, mas o preço é condicionante.

Por fim, algo que só ultimamente reparei, e que me deixou deveras curioso, e que só revela o estado da situação: há cada vez menos livros de bolso! Sim, os livros de bolso, esses livros que se podem levar para qualquer lado, e que são baratos! Esqueçam, desapareceram, os grandes clássicos só se vendem em grandes livros! Claro, quando uma pessoa quer comprar, e se o título está disponível, torna-se absurdo encomendar a edição de bolso, mas é curioso que o mais barato está a desaparecer... Acho que é mais uma prova em como se quer fazer gastar/ganhar dinheiro! Fiquei admirado por ver poucos livros de bolso, e os mesmos títulos em livros de maiores dimensões. Eu lembro-me, antes não era assim!

E por hoje paro de falar, amanhã há mais... ;) Espero pela vossa opinião sobre o assunto!

Misarela A Ponte do Diabo, de Padre António Fontes e Alex Gozblau


Visitei esta ponte de Misarela, no Norte, no concelho de Montalegre para os lados do Gerês. É espectacular, e talvez venha a postar algumas imagens neste blog sobre essa ponte.

Quando vi este livro, acho que nem pensei duas vezes: comprei.

É um livro infantil, mas uma lenda popular. Já conhecia a lenda, mas mesmo assim gostei de adquirir o livro, como recordação também.

Não só a escrita está muito boa como as imagens são excelentes. A lenda é muito interessante, e mais será se um dia vocês forem visitar essa ponte... ;)

Obra muito pequena, li em 5 minutos, mas gostei muito!
A lenda e o local são uns dos mais emblemáticos pontos de interesse no concelho de Montalegre, e sem dúvida valem a pena.

Encontrei aqui o texto do livro, que só não é integral por poucas frases! Para quem está interessado em saber desta lenda.

Máscaras do Destino, de Florbela Espanca

Florbela de Alma da Conceição Espanca (Vila Viçosa, 8 de Dezembro de 1894 - Matosinhos, 8 de Dezembro 1930) escreveu o seu primeiro poema em 1903, ao qual deu o nome de A Vida e a Morte. Em 1920, estreou-se com Livro de Mágoas. A sua obra reflecte e, ao mesmo tempo, inspira-se nas suas mágoas: a doença (neurastenia), os abortos, a morte do irmão, que a deixou na mais profunda depressão e a quem dedicou o livro Máscaras do Destino, e os casamentos frustrados. A sua poesia denota a perfeição e que poderá traduzir-se numa das suas mais célebres frases: "Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior do que os homens!". Seria depois da sua morte que os seus poemas viriam a imortalizá-la.
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Eu sei que ultimamente andei desaparecido, mas isso deveu-se a uma pequeno passeio (em jeito de férias). O último, prometo. =P

Depois de Desgraça, decidi levar para o passeio um livro mais pequeno. O escolhido foi Máscaras do Destino.

Trata-se de um conjunto de contos, que deverão ser lidos individualmente. Costumo ler um conto por dia, uma mania de leitor, talvez para reflectir sobre o assunto ou não ler à pressa. Neste livro aconteceu mesmo isso.

Posso dizer que, no fim do livro, o balanço foi algo positivo, mas os primeiros contos não eram o que esperava, e fiquei pouco convencido à primeira leitura.
Oito contos distintos, e gostei mais de uns do que de outros.

Todos os contos são algo surreais, distintamente prosa poética. Linguagem de poesia, sem tirar nem pôr. O elemento comum em todas as histórias: a Morte. É um livro muito funesto, uma faceta de Florbela Espanca que, para mim, é mais que óbvia.
Nota-se que a escritora se inspirou muitíssimo na trágica morte do irmão, transportando toda a sua tristeza e dor para contos que falam de assuntos funestos, tristes, melancólicos, angustiantes.

Não gostei muito dos primeiros contos. São tão poéticos que... Preferiria lê-los em forma de verso. É o tipo de leitura que se procura em verso, mas não em prosa. Os contos têm, como sempre, a Morte a acompanhar, essa companheira constante. Os textos transmitem algo quase surreal, descrições demasiado pintadas. Não sei se têm alguma grande moral por detrás, mas dão que reflectir sem dúvida: até porque temos que reflectir para conseguir entender o que a autora escreveu.

Já a outra metade do livro, os quatro últimos contos, me fascinou e fez com que a imagem do livro fosse mais sólida. Aliás, gostei muito desses últimos contos, porque embora sejam sempre funestos e melancólicos, são prosa poética realmente prosa, e não o tipo de escrita que seja mais ideal em verso. As descrições são muito bem pintadas (esse é mesmo o termo correcto) e as histórias, sem muito desenvolvimento, não só dão para reflectir como ainda conseguem emocionar. Gostei desses contos.

Os contos tratam mesmo de personagens que poderão não ser tão peculiares quanto isso, mas várias "máscaras" do mesmo destino: a Morte.

Para quem aproveitou esta colecção oferecida pelo JN, não deixem de ler, obviamente (embora a revisão não seja, de todo, muito boa)! Quanto aos outros, aqueles que não têm o livro em casa, aconselho vivamente a poesia de Florbela Espanca, antes de se embrenharem neste livro.

Desgraça, de J. M. Coetzee

David Lurie é um professor universitário de meia-idade, divorciado, que divide o seu tempo entre o desânimo das aulas e as satisfações momentâneas que lhe proporciona uma prostituta chamada Soraya. Quando a prostituta deixa de o atender, David dirige a sua atenção para uma jovem aluna, com a qual terá uma arriscada aventura. A denúncia da relação provocará um autêntico naufrágio existencial, que começa com a humilhação pública e o afastamento do cargo. David procura então a sua filha Lucy, que vive numa quinta numa zona rural, longe da Cidade do Cabo. Mas a desgraça continuará a persegui-lo...

J. M. Coetzee nasceu na Cidade do Cabo, África do Sul, em 1940. Desde 1971, é professor de Literatura na Universidade da Cidade do Cabo. Poucos escritores conseguem equilibrar como ele a reinvidicação da justiça social com as exigências técnicas e estéticas do romance. Recebeu o prémio Booker em 1983 com
A Vida e o Tempo de Michael K, e em 1999 com Desgraça. Destacam-se igualmente os seus romances Elizabeth Costello, No Coração desta Terra, À Espera dos Bárbaros, A Ilha, O Mestre de Petersburgo e A Idade do Ferro. Em 2003 foi-lhe concedido o Prémio Nobel da Literatura.
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Este é um livro muito forte, de um carácter psicológico e físico muito palpável.

Deu para notar que Coetzee adopta um estilo de escrita muito pessoal, por isso foi uma experiência de leitura completamente nova.

A história não podia ser mais desgraçada: um homem que comete o erro de ter relações com uma aluna e que acaba por ser perseguido por todos, e quando vai ter com a filha Lucy ao campo a desgraça continua a atormentar-lhe a vida, para mal dos seus pecados...

É um bom livro, e gostei da leitura. Compreendo a decisão do prémio Nobel, que certamente merece!
Ao longo da leitura, parece que somos envolvidos por uma atmosfera demasiado deprimente, por vezes cinzenta, desde o princípio. É um livro pequeno, mas o desenvolvimento da personagem principal mostra-nos dúvidas existenciais, dores físicas e psicológicas, tormentos consigo próprio e com os outros, e relações demasiado afectivas (mas que são tomadas com superficialidade).
Algumas partes do livro são bastante cruas para pessoas que procuram uma leitura mais "relaxada". Este livro não é nada relaxado. E o protagonista sofre com isso, com a humilhação e a relação consigo mesmo.

Uma vez que se passa em África do Sul, todo o livro se destaca também pelas referências aos inúmeros problemas racistas, e aos clãs que assolam o terror e ressentimento pelo país.

Gostei do livro. O autor tem uma maneira muito própria de escrever, e este é um livro cru, forte, de dúvidas, que nos fazem admitir o destino, que por vezes não é o que esperamos... Apele a muitos debates e a sentimentos. A vida como uma dúvida existencial, uma perspectiva de desgraça em que temos de enfrentar fisicamente os desafios ao longo do tempo.
Livro que merece a honra, por vezes brutal, cujas cenas muitas vezes nos incomodam pela frieza e simplicidade desmedida com que são descritas, enquanto que somos absorvidos desde a primeira página.
Um bom livro para a nossa biblioteca.