Depois daquele Verão, Jess tornou-se uma pessoa diferente. Não só porque perdera o avô com quem tinha um entendimento tão especial que ficava para além de tudo o que as palavras pudessem dizer. Talvez por isso Jess amasse tanto a água, esse elemento líquido com que ela se identificava, que ela cortava e moldava com o esplêndido corpo de nadadora, como se só assim pudesse exprimir-se verdadeiramente. Talvez por isso, o avô, que sempre vivera para a pintura, precisamente agora que a sua vida chegara ao fim, sentia aquela extrema urgência de terminar o último quadro, "O Rapaz do Rio", e de voltar para a terra que o vira nascer e onde havia um rio igual ao do quadro. Mas onde estava o rapaz? Jess não conseguia compreender, contudo sentia o apelo, que era o mesmo no quadro e na realidade, ali mesmo ao lado da casa de férias por onde corriam as águas. Te-lo-á Jess descoberto alguma vez? E como irá ela superar a perda daquele avô tão querido? Como irá descobrir-se a si própria, ela, a nadadora que o rio desafiava com a ambiguidade fugidia dos sonhos?
"O Rapaz do Rio" foi agraciado com o prémio Carnegie Medal em 1998.______________________________________________________________________
Já tinha este livro na minha lista há imenso tempo. Até que chegou uma altura e risquei-o. Logo depois, pego nele e compro-o.
Pois, enfim, era um dos poucos livros que me interessavam naquela feira, portanto foi!
Sinceramente, nunca soube muito bem o que esperar do livro. Ou melhor, tinha as minhas expectativas, mas não sabia nada sobre o livro e nem lendo o resumo consegui chegar a algum lado.
Comecei a ler e depressa me apercebi do tipo de livro. Em primeiro lugar, a acção é pouca e a descrição predomina. Já estava à espera disso, e estava à espera que essa descrição fosse bela e simples, bela sobretudo. Tudo bem, até é boa, mas a verdade é que não é tão bela como o que esperava. A princípio.
Depois, é um livro à partida entre o melancólico, o angustioso e o nostálgico. Não encontrei aquela vida que pensava que tinha, a princípio. As personagens são o centro da história, e são elas que a fazem: tudo tem a ver com a busca de algo, com a realização e com a aceitação de certas coisas, como a morte. A neta teme a morte do avô e procura uma resposta com o rio; o avô, antes da sua hora final, quer sentir-se realizado e completar o quadro misterioso d’”O Rapaz do Rio”, o qual apoquenta todos na casa; o rapaz do rio, essa personagem misteriosa que não aparece no quadro mas aparece nadando no rio ao lado da casa.
Uma espécie de puzzle de personagens e sentimentos, e a aceitação da morte é um tema predominante. Ao longo do livro, as personagens vão explorando os seus receios, dúvidas e esperanças.
Portanto, um livro um bocado para o parado. Porque trata-se, a princípio, de uma busca das personagens, da aceitação da morte e do mistério do rapaz do rio, que corre com as águas. E isso não incomoda o leitor, faz-nos pensar também.
O livro acaba por ser, também, um pouco como o rio: vamos nadando e sendo arrastados pela corrente.
Até um pouco mais de metade do livro, a história estava interessante mas não empolgante, simplesmente normal.
Depois, do nada, surgiu-me uma vontade imensa de acabar o livro e descobrir todos os segredos. Foi mesmo assim, do nada! De repente, esse rio de letras ganhou força e tudo passou a ser empolgante, o mistério passou a ser fascinante! Acabou por ser um livro muito bonito. O final, embora não fosse imprevisível, foi muito belo e conseguiu surpreender. O balanço é bom.
Este é daqueles livros em que cada objecto, cada paisagem, cada acção significa algo: o rio, o rapaz, a nascente e a foz, a cascata, a casa, a rapariga, o avô, a morte... Enfim, uma série de coisas. Daqueles livros que a princípio podem parecer parados mas à medida que vamos descobrindo a simbologia de cada coisa, passa a ser emocionante e, por fim, belo.
No fundo, aconselho. Só não achei tão bom como esperava porque só mesmo depois de passar metade das páginas é que senti a beleza das palavras. Sem querer tirar valor ao livro. Como disse, aconselho, aproveitem se o virem por acaso numa feira ou coisa do género...