
1982. No Vaticano, um grupo de abutres de vestes sacerdotais rodeia o Papa moribundo e sussurra nomes de possíveis sucessores.
Na Irlanda, num mosteiro varrido pelos ventos do mar, está escondido um perigoso documento.
Nos Estados Unidos, numa capela de New Jersey, uma freira é assassinada durante uma oração.
A Irmã Valentine é uma activista que se tornou incómoda para a Igreja.
Quando Ben Driskill, advogado e irmão da freira, compreende que a Igreja não quer a investigação da morte, decide levá-la ele a cabo, desenterrando um segredo explosivo: os Assassini, uma irmandade de assassinos secreta e muito antiga, de que os príncipes da Igreja se serviam para proteger os seus interesses. Mas agora, a quem servem os Assassini? E quem os comanda?
Assassini, a irmandade secreta que Thomas Gifford revelou, e que nós conhecemos melhor depois de "Anjos e Demónios", de Dan Brown.
_____________________________________________________________________________________
Começo por dizer que, independentemente das comparações feitas, este livro não tem NADA a ver com "Anjos e Demónios", de Dan Brown. Digo-vos porquê:
Este foi um livro emprestado, algo que, confesso, não aprecio; primeiro, porque não se devem emprestar 3 coisas a ninguém: a mulher, a casa e os livros; segundo, simplesmente gosto de ter os livros que leio na estante, folheá-los mais tarde (até porque não costumo ler o mesmo livro 2 vezes). De qualquer maneira, este foi emprestado, não foi o primeiro e não há de ser o último.
Há algum tempo que não lia livros do género Igreja/Religião/Polémica. Depois da publicação de "O Código Da Vinci", foram tantos os precedentes que me senti aborrecido. Portanto, este foi um reencontro, muito bom ;).
Tal como a apresentação dá a entender, uma freira é morta devido a uma descoberta que fez, algo que a Igreja não queria que fosse revelado. Ben, o seu irmão, decide retomar a pesquisa e perceber o que é que a sua irmã descobriu, desvendando o assassino e a causa. Para retomar a pesquisa, a irmã só lhe deixou uma fotografia antiga, datada da Segunda Guerra Mundial, onde se encontram pessoas que poderão responder às suas perguntas... Assim, Ben dá-nos a conhecer a acção da Igreja na 2.ª Guerra Mundial, juntamente como o renascimento de uma das sociedades secretas mais temidas, os Assassini, que matam para ver os propósitos da Igreja concretizarem-se.
Não me vou alongar no resumo do livro, pois espero que o leiam. A obra é um thriller, um thriller autêntico: como aqueles que, nos filmes, nos fazem pensar, sempre com segredos e perguntas, que constroem uma teia de mistérios e mais perguntas, com as suas personagens suspeitas e envolvidas, que nos fazem imaginar quem está por detrás de tudo.
No livro, não seguimos apenas a pesquisa de Ben (que acaba por ser apenas um fio condutor), mas também de outras personagens que buscam, de qualquer forma, a verdade. Cabe ao leitor desvendar o verdadeiro significado do que não é aparente (e do que é). Houve alturas em que tive de reorganizar as ideias, parar e conseguir interligar tudo o que as diferentes pesquisas me diziam. É preciso estar atento e concentrado na leitura, senão pode acontecer voltarmos atrás para relembrar algum facto. Ao contrário de "Anjos e Demónios", onde seguimos o protagonista e apenas esperamos por mais, "Assassini" é dinâmico, mexe com o nosso bom senso e mente, faz-nos imaginar quem é quem... Constrói uma teia muito mais complexa. Mesmo que saibamos quem é, afinal, o tal, o final é sempre impressionante. Porque, através de viagens que não se limitam apenas a uma cidade, o leitor tem o privilégio de perceber o que é que todos andam a fazer no trama e qual é a sua verdadeira intanção, a última página não é a única que nos dá a verdadeira informação. Ao longo do livro, cada personagem tem um papel fulcral e cada uma faz parte da grande conspiração (todos são inimigos porque cada um tem o seu ponto de vista... é a realidade da Igreja, é o que o livro nos diz... a religião é um negócio, uma empresa que compra papas e tenta, de alguma forma, ter relações prósperas com o exterior. Deus... bem, Deus está lá em cima, não cá em baixo).
Este livro faz-nos pensar, mexe connosco, é ideal para quem gosta de participar na resolução dos mistérios nos livros. Além disso, à medida que avançamos, é cada vez mais interessante, não perde a intensidade com o passar das páginas, ganha!
Aconselho vivamente. Um thriller confuso e lógico. Várias personagens que tentam desvendar um mistério, ou contorná-lo, ou aprofundá-lo, e até certo ponto apenas o leitor consegue interligar essas personagens e unir as várias pesquisas, descobrindo a verdade por detrás da mentira. Uma conspiração que nos vai chocar...
Uma boa leitura, empolgante, requer concentração. Talvez Dan Brown seja mais fácil e corrido de ler, mas "Assassini" é mais dinâmico e procura desenvolver mais. Só o cansaço nos vai fazer parar de ler...