À porta... Uma Aventura!!!



Finalmente, o livro "Uma Aventura no Alto Mar" já está escrito. Vai ser lançado este mês, e como seguidor da colecção, não podia deixar de referir!

Finalmente, já cá cantam!



Devia ser o único no meio destes blogs todos que ainda não tinha "Crónicas de Gelo e Fogo" ou "Os Pilares da Terra". Estou ansioso!

Amados Cães



" Se houver, como dizem que há, um Céu dos Cães, é lá que quero ter assento, a ver a luz minguar no horizonte, com a sua palidez de crepúsculo num retrato de infância. Hei-de então bater à porta e pedir para entrar, e sei que eles virão, contentes e leves, receber-me como se o tempo tivesse ficado quieto nos relógios e houvesse apenas lugar para a ternura, carícia lenta a afagar o pêlo molhado pela chuva. Então poderemos voltar a falar de felicidade e de mim não me importarei que digam: teve vida de cão, por amor aos cães."
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Bem, tudo começou quando a professora disse: "Têm de ler pelo menos um livro que conste no Plano Nacional de Leitura". Sou sincero, acho que este plano está mal organizado e afasta-se muito do objectivo. Quer dizer, podiam pelo menos dar o benefício da escolha e deixar-nos escolher um livro ao nosso gosto. Além disso, este Plano é muito para "inglês ver".
De qualquer maneira, eu não saio nada afectado com isso. Sou um grande leitor, e quantos mais livros melhor. É verdade que muitos livros que constam dessa lista não conheço e é uma boa oportunidade para partir à descoberta...

Por isso, depois de ouvir boas críticas acerca de "Amados Cães", decidi-me: este ia ser um dos livros escolhidos.

Trata-se do conjunto de várias histórias, textos de no máximo quatro páginas, vários testemunhos de cães cujos donos são, hoje, pessoas famosas e de renome. Alexandre O'Neill, Lord Carnarvon, Ulisses, Newton, Walter Scott, Byron, Sigmund Freud, Hemingway, Pavlov, Maria Callas, Hitler, Picasso, Elvis, Richard Nixon, Marylin Monroe, Sinatra, Steinbeck, Tim Burton, entre outros. Também há testemunhos de Laika, a cadela que foi ao espaço; a história de um cão que morreu durante a erupção de Vesúvio, no tempo dos romanos; enfim, uma série de pequenos textos que mostram o quanto o Cão é fiel e o quanto o Homem está ligado a ele.

É muito fácil de ler. Um pouco repetitivo, mas gostei do modo como o autor tornava os cães parecidos com o respectivo dono: como se, por exemplo, o estilo de escrita de Hemingway estivesse exposto no texto que se refere ao seu cão, como se o que foi escrito fosse da autoria do próprio cão, tão ligado ao dono.
Os textos estão em formato de carta ou prosa normal. Conclui-se que o cão é sempre fiel ao dono, na vida ou na morte, e que o cão compreende sempre o dono e faz-se entender. Quando o cão morre, o dono sente que perdeu um pedaço de alma, pois o cão faz parte de si, é aquele bocado de vida que aconchega e faz ver que, afinal, nós ainda temos vida em nós. O Cão é a bengala do Homem. Se é o dono que falece, o objectivo do cão passa a ser conseguir atingir o patamar do dono e voltar para ele.

Os cães são sempre o pano de fundo. A ideia é sempre a mesma, o amor aos cães, a sua fidelidade, os seus afectos, solidariedade e amizade. Aconselho por curiosidade e por ser uma leitura que atrai. Poderia ser um pouco mais original, então com tantas historietas, mas acho que o objectivo do escritor era apenas fazer um louvor aos cães e chamar apenas a atenção para o quanto eles marcam a vida e o destino.

Até uma próxima leitura!!!

Promoção 2=3 este mês

Para quem não sabe (e para quem sabe), a editora Saída de Emergência está a fazer, na loja online, uma promoção 2=3: compre 2 livros à sua escolha (o total tem que ser maior que 20 €) e leve, completamente grátis, um dos 4 livros que a editora propõe. De referir que a editora paga todos os portes! Os 4 livros propostos são mudados de mês a mês.

Eu ainda não usufrui da promoção, e não sei quando o farei... :S
A editora parece querer apostar muito no seu desenvolvimento... Realmente, cada vez mais reparo nas boas obras que edita.

De qualquer maneira, este mês, os 4 livros postos na promoção são:
- O Salão Dourado, de Rebecca Kohn;
- O Grande Conquistador, de David Liss;
- A Justiça de Aristóteles, de Margaret Doody;
- A Sombra Sobre Lisboa, de vários autores.

Este mês, posso dizer que os livros chamam bem a atenção.
Nada mau, todos interessantes e de não deitar fora.

Alguém já leu algum destes? Vão aproveitar a promoção? Quais os livros que vão adquirir?
Comentem!

Memórias de Adriano


"E é aqui, neste intervalo entre o desembarque do enfermo e o momento da sua morte, que se situa uma série de acontecimentos que me será sempre impossível reconstituir e sobre os quais, todavia, se edificou o meu destino. Os meus inimigos acusaram Plotina de se ter aproveitado da agonia do imperador para fazer traçar àquele moribundo as breves palavras que me legavam o poder. Prefiro, sem dúvida, supor que o próprio Trajano, fazendo antes de morrer o sacrifício das suas preferências pessoais, deixou de livre vontade o império àquele que apesar de tudo considerou o mais digno. Mas devo confessar que, aqui, o fim me importava mais que os meios..."

MEMÓRIAS DE ADRIANO tem a forma de uma longa carta dirigida pelo velho imperador, já minado pela doença, ao jovem Marco Aurélio, que deve suceder-lhe no trono de Roma. Uma carta em que lhe promete contar toda a verdade, sem as reservas próprias da história oficial. Pouco a pouco, através desta serena confissão, suscitada pelo pressentimento de que a morte se aproxima, ficamos a conhecer os episódios decisivos da vida deste homem notável, que soube pacificar um império, tornar a sociedade romana um pouco mais justa, melhorar a sorte das mulheres e dos escravos. E que foi simultaneamente uma das mais cultas e sábias figuras do seu tempo.

Publicado em 1951, MEMÓRIAS DE ADRIANO receberá no ano seguinte o prémio Fémina Vacaresco e é seguramente um dos mais importantes romances de Marguerite Yourcenar.
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Bem, depois de ter trancrito o excerto e o resumo do livro que se encontra na contracapa, aqui vai a minha opinião: é o primeiro romance de Marguerite Yourcenar que leio, um dos livros que já queria ler há algum tempo; fiquei muito desiludido.
Em primeiro lugar, acho mal caracterizar este livro como histórico. Tenho a certeza que é um desapontamento para quem gosta de romances históricos, pois este romance trata-se mais de "perceber o homem" que "perceber a História".
Claro, não falo pela descrição do império, dos hábitos (aliás, a figura de Adriano mosta-nos muitos rituais e costumes da época). No entanto, acabei o livro com a sensação de que a personagem, o tempo, o lugar e o tema foram apenas uma desculpa para expressar algo mais, para reflectir sobre coisas mais profundas e que atingem o âmago do ser humano. O lugar, as pessoas e a História a que a personagem assite são mais desculpas para divagar num tema qualquer. Este livro é de reflexão, concordo quando a autora põe nos seus apontamentos "elaborado só para mim".
O problema não é só esse: é verdade que, ao ler, sentimos que quem escreve é realmente Adriano, mas o grave para mim é que não consegue atrair o leitor. Já li obras de grande carácter humano e filosófico, obras que nos fazem pensar e que nos incitam a afundar na nossa mente. Neste livro, bastava um parágrafo para estar a pensar noutra coisa! Aquele fio que liga o leitor ao livro é demasiado quebradiço e já nem uma pétala agarra. Foi por isso que demorei tanto a ler: por mais que me esforçasse, não conseguia prender a atenção. Mal lia alguma coisa, já estava a pensar nalgo que não tinha nada a ver. O livro simplesmente não empolga, não motiva o leitor. Por isso mesmo, não aguentei. Lê-lo até ao fim foi lento, muito lento...

Não esperem História, esperem um homem; não esperem serem agarrados à sua maneira de pensar e às suas reflexões, esperem antes um homem que parece falar para o nada, apenas para si mesmo. Aquelas partes em que podemos apreender alguma excitação e curiosidade são mínimas e, na maior parte das vezes, acabam por ser substituídas novamente por simples divagação. Os temas que nos leva a pensar não procuram manter a nossa dedicação; é como uma anedota, à primeir aé engraçada, mas quando começa-se a desenvolver muito, perde graça e ganha parvoíce. O mesmo acontece aqui: o tema é tão desenvolvido e de tal modo que já não nos interessa.

O bom neste livro: as personagens são bem trabalhadas, muito bem esculpidas, não se deixando de notar a tendência feminista de Yourcenar. Tem algumas curiosidades interessantes acerca da vida romana, dos rituais, do grande império, e além disso tudo acenta em bases verídicas. A história insere-se numa reconstituição histórica muito boa, mas como disse é apenas um fundo para o verdadeiro tema do livro.

Se ainda quiserem-no ler, certifiquem-se de que têm bastante tempo e que não há mais nenhum livro interessante ou que esteja na lista do "A ler...".
Resumindo, uma desilusão, fraco, não atinge as expectativas e não comunica com o leitor. Muito fácil de se distrair. Não agarra nem motiva muito o leitor. Claro, isto foi a minha opinião, e de certeza que há quem goste.

Um grande abraço e até uma proxima leitura!!!